6 de janeiro de 2008

Pensamentos do Fundo do Latão


"Deves apreciar o afeto do amigo que corre o risco de provocar teu ódio ao chamar tua atenção para as tuas fraquezas e faltas; pois somos todos tão levianos que só percebemos qualidades em nós mesmos e só gostamos de ouvir elogios. Assim nossas imperfeições , vistas por todos, são por nós ignoradas e acompanham-nos até o fim da vida. E nove em dez, odiamos quem no-las revela, mesmo com a intenção de nos beneficiar."
(Walter Raleigh)

"A mentira roda meio mundo antes da verdade ter tido tempo de colocar as calças."
(Winston Churchill)

"Para que discutir com os homens que não se rendem às verdades mais evidentes? Não são homens, são pedras. Tenho um instinto para amar a verdade; mas é apenas um instinto."
(Voltaire)


"Sexo é hereditário. Se nossos pais não tivessem feito nós não estaríamos aqui." (Joseph Fischer)

Pensamentos do Fundo do Latão



"O Nirvana está em nós. O que mata é a culpa, a raiva, o maldito superego. "
(Léa Waider)

"Oscar Wilde dizia: "A gente sempre destrói aquilo que mais ama". E é verdade. A simples possibilidade de conseguir o que deseja faz com que a alma do homem comum se encha de culpa."

"Eis a palavra-chave: auto-conhecimento; à medida que nos conhecemos verdadeira e profundamente. nós nos tornamos mais e mais indulgentes, pacientes e compreensivos para com o próximo, exatamente aqueles que julgávamos (erroneamente) responsáveis pela nossa infelicidade."

"O apaixonado nunca é feliz; a felicidade é o preço da audácia."
(Lope de Vega)

Atitude de Cu é Rola


Um dia, estava eu andando pelas ruas de Copacabana. Olhando as lojas, desviando de camelôs e de meninos de rua, e pensando em parar em algum lugar pra lanchar. Tentei me desconcentrar da fauna do que se pode chamar de "maior zoológico humano a céu aberto em forma de bairro" da américa latina, dando uma olhada nas vitrines das lojas. Só que como é meio característico meu, acabei olhando mais as peças gráficas, e captando informações visuais do que propriamente vendo o que tinha pra vender nas lojas.

Por bem ou por mal, graças à repercussão internacional que o Brasil tem conseguido via Gisele Bündchen, sandálias Havaianas, moda, futebol e prostituição, (tudo isso misturado, não necessariamente nessa ordem) estamos recebendo de volta toda uma espécie de cultura visual do fashion. Acabei vendo toda uma tendência a integrar o que é fashion na vida cotidiana. De comida a celulares. Tudo tem que ter um certo "ar fashion".

Isso me faz lembrar de um conceito que sempre tentaram empurrar pra nossa sociedade, que eles tentam fazer ser tão consumista quanto a americana (e estão conseguindo, a pesar de ainda não termos chegado lá): o conceito de TER ATITUDE.

Cara, como eu odeio esse conceito. Não sei dizer, é uma coisa patológica. Me sugere ser vazio, mas parecer cheio, me sugere que é mais importante parecer que ser. Me sugere um monte de coisas, todas elas ruins. Lembro que uma vez, em uma revista aquela tal de Paris Hilton disse que não tem nada que cause mais interesse em uma pessoa do que aparecer em algum lugar com um riso misterioso do tipo "eu sei e vocês não sabem". Que todo seu sucesso está focado nesse macete. Cara, onde nós estamos? O que eu tenho a aprender com uma loira esquelética, milionária e dondoca, que fala uma coisa dessas como se isso fosse uma revelação de profeta?

Nunca fui de seguir modinha, isso nunca escondi de ninguém. Sempre fiz as coisas que eu gostava. Porque eu gostava. Sempre ouvi as músicas que eu cavava, sempre li o que eu descobria. Até hoje detesto ler livros hypeados. Aliás, detesto muita coisa que é hypeada.

Uma vez eu vi na TV uma reportagem sobre tatuagem, piercing, etc. Aí, me aparece uma garota dizendo que "tipo assim, cara... tatuagem e piercing é uma expressão da minha individualidade, sacou? Tipo, não quero ser igual a ninguém, quero ser eu mesma, então eu decoro meu corpo de acordo com o meu eu, e tal..." Beleza, pensei eu... Vai fundo. Só que abre a câmera, dá uma geral no visual da "mulé"... Depois uma cena dela encontrando com os amigos. Todos com os mesmos tipos de tatuagem, os mesmos tipos de roupa, e até os piercings nos mesmos lugares. Sinceramente, me deu vontade de empurrar a imbecil pra baixo de um ônibus.

Aquele bando de adolescentes de all-star de cano alto, saia preta, cabelo pintado de vermelo, roxo ou verde... Piercing na língua-supercílio-etc.... camisa de banda ou comprada numa feira alternativa... Porra, depois vem falar que têm atitude? Atitude é o meu Caralho! Era só perguntar pra turminha quem gosta de los hermanos, ou de alguma banda onde os carinhas fiquem emulando alguma coisa da cena indie ou emo ou metal melódico lá de fora, ou quem assistiu "brilho eterno de uma mente sem lembranças" e diz que é o cult movie de sua vida. Se der a maioria, me digam...

Aí eu lembro de um trecho de uma música dos Engenheiros que eu ouvia lá pros finais dos anos 80, mas que cabe direitinho até hoje:

"todos iguais, todos iguais... Mas uns mais iguais que os outros... Todos iguais, todos iguais..."
Por essas e outras que eu falo... Esse papinho de atitude não me pega não. Nunca gostei muito de gente que levanta o nariz por pouca merda mesmo... E tenho dito. Au!

Política de Cão

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio depende das decisões políticas.

O Analfabeto político é tão burro que se orgulha de estufar o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio.

(O Analfabeto Político - Bertold Brecht)

Sinopses vira-latas: As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley

Resumo: A História do Rei Arthur contada pelas mulheres de sua família. Começa com Igraine que tem dois filhos, Arthur e Morgana. Arthur estuda pra virar guerreiro e rei, enquanto Morgana vai pra ilha virar druida. Um dia rola uma festinha, coisa de adolescente, todo mundo muito doido cheios de poção do Panoramix nas idéias, o Arthur come a irmã no escuro sem saber que é ela. Vai embora e ele nem desconfia. Ela embuxa e tem o neném na encolha.

Nesse meio tempo, aparece o Lancelote, um francês metrossexual playboy que é primo deles, do tipo que chega chegando e come todo mundo fácil, mas não sabe direito o que quer da vida, nem de qual fruta é mais chegado. Gilete legal.

Arthur casa com Guinevere (Gwenwhyfar pros íntimos)uma loira patricinha, que logo dá mole pro pegador francês. Morgana continua apaixonada por Lancelote também, mas como é marrenta, não dá na pinta pra não se dar ao desfrute pra Guinevere (mulher tem dessas coisas, vcs sabem). Arthur vê que a coisa tá preta pro lado dele, e pra não perder a mulher, topa liberar um ménagezinho com o primo... Vai ver que ele prefere dividir um filé com os amigos que comer uma pelanca sozinho...

A vida segue, Guinevere casada com Arthur pq ele é o rei, não vai perder uma bocada dessas. Lancelote acha di-vi-no, pode dividir a cama com a Guin e com o Art...que coisa moderna!!! Morgana, burra que só, orgulhosa que só, não consegue desencantar do Lancelote, e só trepa uma vez ou outra, com um Zé qualquer que apareça, mas nunca tem orgasmo e morre de paixão incruada.

Fim.

Dia de Reis (Magos, não Cães...)

Olha a minha cara de ânimo pra fazer "faxina do dia de Reis"... Nem parece que teve tanto feriado há pouco tempo atrás...

Bom descanso!

Sinopses vira-latas: Finnegan's Wake, de James Joyce

Resumo: Mais uma vez, (como bom Irlandês que é), Joyce toma um porre e vai escrever sobre a vida de um compatriota seu, que apesar de fictício, poderia muito bem ser ele mesmo. Mas como o autor está de porre, (e todos sabem que quem tem delirium tremens alucina legal e mistura tudo), mais uma vez ele desembesta a fazer correlações entre a vida do personagem principal, o taberneiro Humphrey Earwicker e sua família com toda uma gama de mitos, mitologias, referências, símbolos e simbologias da cultura universal. Só pra complicar, como todo bom bebum, o autor ainda sai inventando um monte de palavras novas, e também colocando palavras conhecidas em lugares estranhos. Daí resulta mais um livro bem divertido que pode ser lido de trás pra frente, de frente pra trás, de lado ou na diagonal, e que assim como Ulysses, serve mais pra ficar fazendo correlações e usando-se como combustível para tiração de onda do que propriamente ser lido. Como diria o Obelix, "Esses Irlandeses são malucos!"


Provérbio Inglês:
"Deus inventou o álcool para os irlandeses não dominarem o mundo"

Latidos impertinentes

Formatação HD e Reinstalação de Windows... Um processo que guarda semelhanças fortes com a TPM: Todo homem ainda vai passar por isso, ficar de saco cheio, e desejar que não fosse necessário lidar com essa bosta.

Pulguento!


Pulgas são como os problemas. Ou os problemas são como as pulgas? Só sei que os dois enchem o saco, mas tem gente que assim como os cachorros, adora tê-lôs por perto, e estão sempre se metendo em situações onde conseguirão mais. Tanto as pulgas quanto os problemas.

Direito de ir e vir (ao chão)

A pedra portuguesa em que pisei
Que estava solta na calçada
Escorregou em outra e sambei
Meu tornozelo, uma pontada

Virou, em pleno centro da cidade
Quase chegando à portaria
Pensei, isso é muita maldade
Uma dessas pra começar meu dia

Entrar mancando no prédio
Muito puto com o prefeito
Ligar pedindo remédio
E torcer pra fazer um efeito

Ah, merda de política!
Ah, que bosta de eleição!
Não fujam à minha crítica
Não consertem o calçadão...

Tivesse eu oportunidade e certeza
Faria o seguinte, tomado de tão puto
Pegaria a maldita pedra portuguesa
Acertaria um político no cocoruto.

Momento Vira-Latas Raivoso ou "Porque Papai do Céu não dá Asas a Cobra"

Dia desses baixei um CD inteiro do Bezerra. Depois vou baixar mais. Não creio que alguém deva ficar espantados com minha falta de sofisticação, com meu não-eruditismo. Nadei em um mar de sofisticações e fiquei literalmente enjoado. Misé-en-cenes, Salamaleques, Notas Jazzísticas, Cheiro de Charuto, Viagens à Europa. Tudo isso embalado em um papel reluzente, e ao mesmo tempo efêmero e rasgadiço.

Fiquei puto. Resolvi olhar para frases simples. Resolvi estudar a falta de sofisticação. Procurei, procurei, procurei, vi coisas ruins do lado de cá também. Descobri que não é o ruim, exatamente que incomoda, nem o considerado bom demais. Ruim ou bom, o que me enche o saco é o fora de hora. Tem hora de música clássica? Tem. Agora, tem hora pra Bezerra da Silva também. E como tem.

Sempre ouvi dizer que gente que viaja muito aprende mais, tem mais cultura, etecéteras e tais. Olha, testemunhei, conheci pessoas e descobri: Se o nosso organismo não estiver preparado para consumir o que uma experiência dessas tiver pra oferecer, não adianta. É como pagar muitos milhares de euros pra comer as mais finas iguarias, e no final, tudo vai virar bosta.

Fodam-se suas viagens pra Europa. Foda-se o chocolate belga. Foda-se esse ar perdido de quem está nos trópicos por acaso. Foda-se esse ranço de aristocracia pra lá de demodé. Um dia, me disseram que o vira-latas é o cão mais resistente, por conta da seleção natural. Descobri que sou vira-latas. Descobri que sou resistente, descobri que sou adaptável. Descobri que dou conta do recado.

Um dia isso será levado em conta.

Pensamentos do Fundo do Latão


"Piolho cego vive esbarrando em cabelo"