18 de maio de 2008

O Retorno de Uma Velha Paixão...

Pouco tempo atrás, reencontrei uma velha paixão. Ela tinha ficado emprestada com a minha ex-mulher pós separação e repousava tranquilamente na estante de livros do quarto da minha cunhada. Não, não vou começar um relato louco de amores impossíveis e entrelaçados. Era o meu amado exemplar de Alta Fidelidade, de Nick Hornby.

Começou assim: primeiro eu vi o filme. Foi, ao lado de "Pontes de Madison" um dos meus top 5 (bem estilo Alta Fidelidade) da lista de Filmes românticos que eu na qualidade de homem, consigo ver sem subir a taxa de glicose no sangue. Engana-se quem pensa que homem normalmente não gosta de romance. A gente gosta. Só que preferimos ver sentimento, e não sentimentalidade. Um dia eu volto pra explicar. Mas o fato é que cheguei a pensar que meu livro, que comprei após ter assistido o filme, (e que achei maravilhosamente complementar ao mesmo) estaria perdido pra sempre. Que prazer em reencontrá-lo, vivo, bem, inteiro.

Poucas vezes eu me deparei com essa situação... um livro e um filme sobre esse livro, ao invés de gerar comparações de quem é pior, quem é melhor, me fazem gostar mais e mais um do outro. Seja pelo filme ser uma adaptação honestíssima, com excelentes atuações e uma atmosfera que traduz perfeitamente o climão do livro, e um texto adaptado quase à perfeição... E o livro, que tem todo o caráter de original, obrigatório (até porque se passa em Londres, enquanto o filme se passa em Chicago). Se não ler não tem como saber. Mas em suma, li com prazer em coisa de uma semana, na ida pro trabalho e antes de ir dormir.

E como tinha gravado recentemente uma cópia do filme, e as imagens estavam frescas na mente, foi puro prazer em ler e em lembrar.




Já que estou falando de Top 5, eis a lista dos "Filmes de Romance sem Restrição pra Homens":

1- As Pontes de Madison .
Correto, sem excessos, tristeza na medida certa, felicidade na medida certa, cria questionamentos sem ser questionador, tem Meryl Streep e o meu grande chapa Clint Eastwood prova que pode fazer o que quiser, como quiser, e na hora que quiser. Até um romance, contracenando com a Meryl. O cara é phodda.

2- Alta Fidelidade .
Uma excelente adaptação literária

3-Drácula de Bram Stoker .
Me convençam de que aquilo ali não é uma história de amor e das boas.

4-Hitch .
Apesar de ser pipoca ao extremo, merece entrar na lista porque se salvam algumas pérolas escondidas na roupagem descartável.

5-Despedida em Las Vegas .
Mesmo caso do Drácula. Me convençam que não é uma história de amor. Ah, e a Elisabeth Shue captura tanto a atenção que a gente esquece completamente a cara de panaca do Nicolas Cage.

17 de maio de 2008

Back in Business

Esse está sendo um ano interessante. Quase sem perceber, voltei a ilustrar. Desde ano passado eu já vinha retornando, mas estava pegando o jeito, aprendendo a mexer com o equipamento novo que passei a usar, essas coisas. Só que isso tudo foi sem pretensão ainda, até porque nunca achei meu traço lá muito "comercial". E tava explorando o que dava e o que não dava pra fazer, as ferramentas que eu gostaria mais de usar, etc.

Pouco tempo atrás veio através de um ex colega de faculdade que tinha agitado um freela pra mim séculos atrás e que deu bastante certo na época, um convite pra fazer outro. Eu achei um trabalho que "dava pra mim", fiz os esboços, apresentei pro responsável pelo projeto, com quem tivemos uma reunião, o cara gostou, e pronto... Voltei ao mundo de "desenhar pra fora".

Outra coisa que me fez lembrar das mudanças desse ano é que comecei a meditar. Demorei anos para resolver fazer. Nunca quis seguir doutrinas de outros, passei eras e eras lendo sobre gente que faz isso, cada qual do seu jeito, e tudo mais. Não quis descobrir um santo pra cobrir outro, se é que dá pra me entender. Daí, pouco tempo atrás, achei um método legal, sem nenhuma papagaiada pseudo new-age e comecei a praticar. Ainda estou um pato danado, sei que é difícil, que exige prática, mas mesmo do alto da minha inexperiência, tá sendo legal. Já dá pra sentir diferença. O interessante é que não é uma diferença do tipo "depois que comecei a fazer exercício estou com x quilos a menos"... é algo muito mais sutil. Sinto-a quando eu consigo ficar mais calmo e por mais tempo do que conseguia antes, o que não é grande coisa, porque nunca fui um cara nervosinho... aliás, uma das poucas coisas que me deixam nervoso é gente nervosa. Paradoxal, não? Sinto também às vezes uma certa diminuição da maldita preguiça que sempre me assolou... isso está sendo bom pacas. Não que ela tenha sido removida de todo, mas tenho conseguido me mover em direção às coisas que tem que ser feitas (pelo menos as que tenho mais vontade de fazer) com mais facilidade que antes. É engraçado. Tá exigindo bem menos esforço.

E, de uns tempos pra cá também, resolvi parar de reclamar que não conheço quase ninguém do lado de cá da poça, e comecei a procurar amizades por aqui. Deixo registrado que meu sonho de consumo é ter um grupo de pessoas que morem perto ou sejam acessíveis o suficiente para poder tomar um chopp num bar perto de onde moro. Sim, porque acho um pecado ter um monte de barzinho legal em volta de onde eu moro, todos a uma caminhada de distância, e não ter uma turma com disposição pra molhar a palavra de vez em quando.

Não é que eu não conheça ninguém aqui. Mas sinceramente, as amizades daqui de quem eu gostava mais, eram 2 casais da época que eu era casado, e que parecem que gostavam mais de mim naquela época também. Depois que voltei ao clube dos solteiros, provavelmente fiquei proscrito pra eles. Eles até são bem-intencionados, não deixam de mandar emails, e tudo. Uma vez ou outra até acenam com a possibilidade de marcar um chopp, só que demoram mais de 1 ano pra marcar um, e quando marcam é um fim-de-semana em que eu estou viajando. Sem contar os milhares de chopps cancelados por causa de casamentos ou festas de aniversário de criança. Esses eu prefiro nem lembrar. Dramático. Portanto, por mais que eu os ache pessoas legais, digamos que eu me dei conta que tem gente que não faz a menor questão de estar com a gente. Quando a gente quer a gente procura, certo? Ou pelo menos tenta. Então, eu quero eu vou procurar.

Me inscrevi numa comunidade de gente daqui. Estou aparecendo aos poucos. Já soube que eles marcam um chopp costumeiro, quando eu tiver mais visibilidade vou aparecer por lá. Por enquanto é isso.

8 de maio de 2008

Like in a Gipsy Wedding


Hoje eu quero falar do Fanfare. Graças ao meu nobre colega Richard "Scribbled", que gosta de ouvir e assistir coisas tão diferentes e loucas quanto eu, só que as coisas diferentes e loucas que ele gosta são totalmente diferentes das minhas, só são igualmente loucas. No decorrer do ano fui apresentado a essa banda, acabei baixando umas músicas deles, observando com atenção, assisti até o documentário. E eu falo com propriedade: os caras são uma banda mesmo. Não banda do tipo banda de rock não. Os caras são uma banda de metais mesmo, daquelas com trumpetes tubas, trombones, e tudo mais que um bom casamento cigano tem direito.

Como assim, perguntaria um desavisado qualquer. O que tem a ver casamento cigano com isso? Bom é o seguinte. Fanfare Ciocărlia é uma banda cigana da Romênia. Na verdade, são uma banda de uma aldeia cigana ( Zece Prăjini, cerca de 400 habitantes, pra ser mais exato) escondida na Romênia. Os caras foram descobertos por um produtor alemão (que virou empresário e projetou a banda daí pra diante), no meio do nada, nesse vilarejo esquecido num canto do nordeste da Romênia que nem no mapa está listado. Pra descer na aldeia você tem que SABER onde é, porque nem placa tem. A impressão que dá é que o trem passa, desacelera e mal pára. Você teria que pular dele em movimento pra chegar lá.

Bom, encerrado o momento wikipédia, a questão é que o som dos caras é contagiante. Tem aquela coisa incerta de música misturada, lembra um pouco música árabe, mas os caras acabam dando umas tintas pop, por conta de umas versões que fazem (com a leitura deles, é bom adiantar) de músicas bem conhecidas do povo do lado de cá, como o tema do 007, por exemplo.

De qualquer forma, nem vou botar link pra vídeo deles aqui nem nada. Se quiser vá lá no Youtube e fuça. A surpresa vai ser até maior.

Recomendo: "Iag Bari" "Dusty Road" e "Asphalt Tango", valendo a pena também dar uma olhada nas versões hilárias e quase irreconhecíveis que eles fizeram pro tema do 007 e pra "Born to be Wild"

Se alguém se habilitar, depois volta e me conta!

5 de maio de 2008

Ódio no sopé de Big Horse Hill

Vou ser curto e grosso. Se possível fosse, como uma calibre .12 com o cano serrado... mas como não é, só curto e grosso mesmo. Depois de um ano, um namoro começado e terminado e não problematizado ao extremo, eis que a morta-viva mais insistente do país volta a fazer o que sabe fazer melhor... Voltar da tumba pra encher o meu saco.

Eu sei que a morta-viva tinha essa coisa com datas e recordações, já era assim no período em que estive sob a maldita influência de sua pessoa. Mas passou o ano passado, cada vez menos eu tinha notícias, a minha política de não atender telefones e desligar na cara vinha funcionando bem. Eu já me sentia tranquilo o suficiente e lá por por setembro eu iniciei um relacionamento com uma moça legal. Um namoro normal, tranquilo, leve e por ser a distância, com todo o cuidado de não criarem-se estresses desnecessários. E a coisa tava indo bem à beça. Tudo parecia correr bem. A mão maldita não estava aparecendo na terra da cova, e me permiti esquecer um pouco do assunto.

Mas eu não sabia que o bicho dos infernos mantinha uma vigilância atenta. Se milagrosamente ela estava respeitando o fato de eu estar envolvido com outra pessoa, não deixava de acompanhar a novela, fazendo visitas a perfis de orkut e coisas do tipo. Mas ainda assim, eu curtia minha paz. Bem, vira o ano, chega o mês de março e como muitos relacionamentos, houve um momento em que se repensou e resolvemos terminar, eu e a moça legal. Como era uma relação normal, e respeitosa, apesar de logicamente, nenhum término é 100%, pelo menos consegui fazer com que fosse algo o menos sofrido possível. E continuamos amigos, apesar do espaço óbvio que tem que ser dado pra que se curta o luto de cada um. Mas independente disso, continuou ela sendo alguém que tenho em alta conta, de verdade.

Mas bastou passar um pouco de tempo, chegou abril, chegou a época em que fazia 1 ano que eu cortei a cabeça da Hidra, e eis que o fedor que vem dos lados do pântano anuncia sua volta. Eis que pinta um telefonema, e eis que eu me pego sentindo coisas como desprezo, uma profunda insatisfação com o quanto às vezes o universo é injusto em não punir gente que faz o que ela faz, e uma grande sensação de perda de tempo. É triste pensar que alguém consegue perder um ano da sua vida dedicada a uma obsessão, uma doença. É mais chato ainda pensar que eu é que sou objeto dessa obsessão idiota e que não dá sinais de diminuir, ao contrário do que eu pensava.

E o pior de tudo, me causa um repúdio monstruoso saber que essa pessoa tão suja, tão pequena, é capaz de me atingir muito mais incomodando às pessoas de quem eu gosto, meus amigos, amores, parentes... Pessoas que não têm nada a ver com a merda que eu um dia fui fazer ao me envolver com ela. E que hoje são incomodadas e correm o risco de serem ofendidas por esse monstro que eu trouxe a essa realidade.

No fim, me resta perguntar apenas, alguém tem uma carreta de 24 rodas pra me emprestar? Devolvo logo, só que um pouco suja... mas nada que um lava jato e um pouco de água benta não limpe.

Pintando o Sete, e a saga vai chegando ao fim...

Na última vez em que pisei nesse beco, prometi que iria terminar a história da pintura do cafofo, e hoje, já de cafofo pintado, venho pra cumprir esse compromisso, mesmo que ninguém mais queira saber (ou se lembre) do que é que eu estou falando.

Bom, pra resumir o treco todo, foi feita a obra de reparo no apê, e quando eu contei pra D. Lesma que iria descontar a mulher começou a chiar. Acho que já disse isso antes, mas eu pago muito barato e ela me dá muita moleza no aluguel do apê, então tive que usar e abusar da minha diplomacia canina, pra não ficar sem teto de vez. Tive que abanar o rabinho e rolar no chão mesmo quando minha vontade era de voar no pescoço da desgraçada. Mas já andaram dizendo por aí que a verdadeira sabedoria é pensar numa coisa bem idiota pra se dizer e não dizê-la, foi exatamente o que eu fiz. Refreei meus instintos primitivos e fiz o famoso olhar de cachorro sem dono.

Chorei minhas pitangas de sempre, reclamei da minha falta de dinheiro constante, e disse pra ela que poderia descontar os valores em suaves prestações mensais para que o desconto não causasse um desfalque muito grande no aluguel que pinga lá pra ela todo mês. Não é que a danada aceitou? Pois é. Foi só eu fazer cara de cachorrinho bonitinho que ela se abriu que nem um pàra-quedas. Não é lindo? Consegue-se o que quer e nem precisa-se arreganhar os dentes... (Bom, talvez um pouco, mas pra rir, né?)

Daí, esperei passar o mês, marquei com o pintor e pronto. No mês depois ele veio, fez a pintura e o cafofo ficou biíto. Não vou passar meu tempo aqui dizendo o quanto ficou sujo, bagunçado, virado de pernas pro ar, até por que isso aqui é casa de solteiro, então isso tudo que eu falei aí é o estado normal das coisas... (Pô fora de brincadeira... agora falando sério... Já ouvi tantas histórias sobre casa de solteiro que me recuso a acreditar que a minha seja tão ruim assim...)

E segue a vida. Agora, espero o momento do ajuste final: Chamar D. Lesma pra vir ver a pintura.
Não sei porque, mas estou um pouco apreensivo. Vai que ela bota algum defeito... Ou não vai com a cara da cor que eu pus na parede... Foi mais ou menos essa aqui... :◙◙◙. Um laranja com bastsante branco. Ficou um bege meio amarelado, sei lá. Na lata tava escrito "mel" mas eu achei um nome muito "designer de interiores pra não dizer decorador"... Fresco demais. Preferi chamar de bege mesmo e pronto. O importante é que ficou legal. Não ficou escuro demais e fez um bom contraste com o teto branco.

É isso. Voltamos no próximo capítulo.

16 de março de 2008

Ken Lee

Esqueçam os cantores de churrascaria. Esqueçam o embromation. Esqueçam a Sol do BBB. Nada se compara à candidata que foi cantar uma música da Maraia Quéri no programa equivalente ao American Idol, só que da Bulgária.

Impagável... Enjoy!

2 de março de 2008

Bom Comercial

Esse vídeo me lembrou do tempo em que eu frequentava assiduamente Camboinhas. E via aquele povo (podia seguir e olhar a placa do carro: 98% de chance de não ser de Niterói) que vinha com família, cachorro e churrasqueira, levantar da areia e deixar lixo na praia... Algumas vezes a gente chegava a recolher o nosso e o deles, por pura pena de sujar aquilo lá.

Há anos que não vou lá. Já me disseram que não está tão mais limpo quanto na época em que eu ia. Também pudera... aposto que vai muito mais gente que não recolhe lixo do que quem recolhe. Não basta emporcalhar as próprias praias, aí vão emporcalhar as dos vizinhos.

1 de março de 2008

Dois Focinhos... a nova novela das 8... Parte Três.

No último capítulo, ficou fechado um parceiro que iria vir fazer o trabalho de reparo pré-pintura em 2 fins-de-semana por um preço razoável. Persignado com a merda que seria ficar 2 FDS's sem sair do cafofo, convivendo com poeira e com tudo fora do lugar,pus uma roupa velha e me preparei pra ajudar no que fosse necessário... No primeiro FDS a coisa correu de forma tranquila, apenas foi necessário mais quebração em uma parte da casa do que o esperado em função da infiltração mesmo (eu não falei, D. Lesma?).

O pior é a bagunça na casa, e nem adiantava querer arrumar alguma coisa no espaço de um FDS pro outro, porque no outro sábado ia ser a mesma coisa de novo. Resultado, só um pano besta passado no chão e 5 dias entrando em casa sem olhar pros lados.

No outro FDS, eu fotografei o andamento da obra, liguei pra D.Lesma pra avisar que mandaria as fotos. E pra avisar que descontaria o valor da obra de reparo. Pânico. Surpresa. Ranger de dentes. A desgraçada não só quica que nem uma bola como ainda me joga na cara que eu moro no cafofo há um tempão, sem contrato de imobiliária, sem aumentar meu aluguel, etc.

(pausa pra respirar, calma, VL... vc é um bastardo de sangue frio e mente calculista!)

Usando de toda a diplomacia que papai do céu me deu, consegui entortar toda a conversa, dei mais voltas que o carrinho de batida do Campo de São Bento e desfiei meu rosário de pagador assíduo, apesar de não pontual, expliquei que se não estivesse em um momento de penúria financeira jamais consideraria descontar tal bagatela, me mostrei preocupado com a saúde da esposa do Sr. Enrolado, que está fragilizado nesse momento e não deveria ser incomodado com assuntos mundanos tais como a infiltração que há mais de 10 anos assola o telhado do prédio... Bom pra encurtar a história... no fim das contas eu vou descontar de qualquer jeito, em suaves prestações mensais pra não ficar pesado pra ela. Mas vou descontar.

Acabei o telefonema com ela toda contente com minha atenção ao assunto e eu cansado de tantas voltas que tive que dar. Mas confirmei o dito popular de um conhecido meu, parceiro de velha data " Mulher gosta mesmo é de ouvir história"... Foi eu entregar a trolha sem anestesia que a criatura chiou mais que chaleira no fogo... Aí eu volto, sento, respiro, conto uma história triste com contornos dramáticos e a mané fica toda convencida de que eu sou um santinho? Fala sério... não gosta de ouvir verdade, né? Bom, então tá, vai o que a freguesa pedir.

Seguiu a obra, o parceiro terminou. Agora o apê tá pronto pra receber a pintura. Estou pesquisando que cor vou botar na parede, porque se vou pintar que seja pra ficar diferente. Esse areia atual tá me deixando doente. Até agora, to pretendendo mandar um amarelo bem presente mesmo. Acho que essa cor vai estimular a intelectualidade, dar boas idéias e melhorar minha imaginação na hora de enrolar a D. Lesma de novo... Teto branco, portas, rodapé e sanca brancos, e paredes amarelas. Acho que tá bom.

Agora é esperar o mês virar e arrumar uma loja de tintas que cobre um bom preço e parcele no cartão sem juros.

(Ô início de ano!)

25 de fevereiro de 2008

Plantão Vira-Latas Informa.

Ontem terminou a obra de reparo do apê. Agora é correr atrás de preço de tinta e materiais associados para fazer a pintura. Ainda estou devendo o próximo capítulo da novela. Em breve, crianças... em breve.

(Quanto será a prestação de uma casinha-de-cachorro própria?)

20 de fevereiro de 2008

Que Manchetezinha mais FDP!


declaro para os devidos fins que estou surpreso. Tudo bem que o Extra é um sub-jornal, o primeiro aqui no RJ a pegar a onda dos "jornais de pobre", aquele fenômeno que trouxe uma linguagem mais fácil para as páginas dos jornais, não para atingir mais pessoas, mas sim porque o povão está ficando mais burro mesmo.

Mas em matéria de filhadaputagem, sarcasmo e trocadilho infame, eu confesso que nem eu pensei em fazer a correlação. Só faltou uma caricatura do bom velhinho Fidel gorfando... Essa eu não perdoarei jamais!

Enquanto isso, não vejo a hora de abrirem as porteiras lá em Cubanacan, o país com o maior índice de prostitutas com diploma de nível superior do planeta (apesar de que se a taxa daqui continuar subindo, o Rio de Janeiro em breve vai estar ameaçando essa posição... e viva as mocinhas da PUC, Estácio e Veiga de Almeida).

18 de fevereiro de 2008

Dois Focinhos... a nova novela das 8... Parte Dois.

Convencido de que jamais encontraria um apê pelo mesmo preço, no mesmo bairro, sem contrato com imobiliária, sem fiador e pagando duzentas pratas abaixo do preço de mercado, nosso herói resolve partir pra estratégia de guerra.

Sim, estratégia de guerra. Isso porque depois de um mês de dezembro com movimento fraco na firma, o din din do início de janeiro não deu nem pro cheiro. Contas de luz alta, de telefone surreal, cartão de crédito sobrecarregado, tudo parecia conspirar para a falência. E D. Lesma me exige obra no apê. O-bra. É, porque se não ficou bem explicado, o apê sofre um problema crônico de infiltração. Isso porque o Sr. Enrolado (o síndico, lembram?) tenta resolver esse problema há anos, mas sempre chama os mesmos pés-rapados pra consertar sempre no mesmo lugar e nunca dá certo.

Daí que o VL que vos escreve tem que fazer jus a seu codinome. Claro, pois se minha vida fosse fácil eu não seria o Vira-Latas que todos amam, e sim um Poodle, um Yorkshire ou um Cocker Spaniel... Vira-Latas que é Vira-Latas mesmo tem que ter dificuldade, senão nem tem graça. Passo o mês todo economizando, não gastando, evitando ao máximo qualquer gasto pra diminuir o impacto no mês seguinte. Carnaval? Esquece. Viajar? Nem pensar. Almoço? Marmita todo dia pra não gastar comendo na rua. E tome de dieta de miojo com sardinha em lata. Tá bom, não é tão ruim, eu sei fazer outras coisas que não são miojo, um arroz competente até sai, uma carne à chinesa vez ou outra... Mas convenhamos. Quando se chega tarde do trabalho, sem saco nenhum de fazer estripulias gastronômicas, os míseros 3 minutos de preparo descritos naquela embalagem são uma sedução e tanto.

Segue o mês, o VL começa a correr preço. Tenta ligar pro cara que fez o último trabalho de pintura, e adivinhem... Já tem tanto tempo que o telefone do sujeito mudou. Aí começa o networking de pobre. E tome de perguntar pra vizinhos se conhecem alguém, etecétera e tal. Numa ida à loja de ferragens, resolvo perguntar se o dono da loja tem um contato. Por acaso no balcão tinha um maluco que era pintor, aceita dar uma passada no apê pra orçar o serviço. Concluo que o cara deve estar acostumado a trabalhar pra elite, pelo preço que ele me cobra. Mas fico na encolha porque pelo menos ele teve a boa vontade de olhar o apê todo e dar dicas de coisas que precisavam ser feitas que eu nem sabia. E ainda me dá a listagem de todo o material necessário, o que vai quebrar um galhão na hora de orçar. E é nessa visita do prestativo porém careiro que me vêm a idéia que pode salvar meu pêlo, e meu bolso também:

Lembro-me que D.Lesma fez TANTA questão da pintura, que esqueceu de avaliar o quanto o apê estava comprometido pela infiltração. Lembrei que ela fez TANTA questão da pintura e de que eu pagasse por ela, que nem tocou no assunto de precisar-se fazer algum conserto no apê. Aí que o amigo aqui teve o insight de simplesmente fazer o reparo e a pintura em separado, mas subfaturar a pintura e superfaturar o reparo. A pintura, o VL paga... mas o reparo, ah... o reparo, a Sra. vai me desculpar D. Lesma, mas essa trolha quem vai agasalhar é vossa senhoria!

Na semana seguinte, vieram mais 2 pedreiros, aí eu já estava preparado pra dividir o serviço em 2 etapas. Orçamos o reparo e a pintura em separado. Meu chefe falou que se o cara que fosse fazer o serviço fosse peão demais ele arrumava um jeito de produzir uma nota assinada pelo servente lá do prédio dele. Aí eu ficaria calçado e com comprovante. Pedi pra me orçarem o valor do reparo, 100% de reparo, deixando o apê prontíssimo pra vir só com tinta depois. De forma que até eu que nunca pintei um apê pudesse fazer o serviço, se necessário.

O segundo cara orçou um preço bom e tinha disponibilidade de fazer no final de semana, aí fechei com ele. Vantagens foram que o cara é bem recomendado, mora perto, e não cobrou acima do que eu esperava pagar. Marquei pro final de semana depois do carnaval. No sábado, o cara chegou e demos início aos trabalhos.



No próximo capítulo, o andamento da obra, e os planos maquiavélicos pra não gastar quase din din nenhum...

16 de fevereiro de 2008

Dois Focinhos... a nova novela das 8... Parte Um.




Como eu prometi, explicarei a novela do apê. Será necessário, porque houveram reviravoltas na trama. O VL é duro na queda, não se dá por vencido e acaba inventando um jeito de fugir da carrocinha. Pra que a história toda fique bem clara, vou ter que começar explicando:

Onde:
Apartamento do VL

Quando:

Início de 2008

Quem:

• VL, o ilustre morador que vos fala...
• D. Lesma, proprietária e "bruxa do 71" de plantão.
• Participação especial de Seu Enrolado, o síndico.

Como e Porquê:
Ah, agora é que a coisa fica boa. Estava o VL na paz de seu lar quando um belo dia aparece D. Lesma pra fazer uma visita. Soube ela que andaram sendo feitas obras no prédio, devido a um problema de infiltração e que há anos não era resolvido, por conta da teimosia do síndico, o Sr. Enrolado, que insistia em chamar pedreiros meia-boca pra fazer paliativos no telhado que de nada adiantavam. No dia da visita de D. Lesma, o VL que vos fala fez um tour com ela pelo cafofo pra poder mostrar todos os problemas acarretados pela maldita infiltração. Participei a ela da minha esperança de que o último conserto tivesse dado resultado, pois só assim valeria a pena finalmente reparar o cafofo e pintar depois. Aparentemente tudo tinha ficado entendido.

Semanas depois... (como nas novelas do Man-uergh Carlos)

Um belo dia sou interrompido ao celular no meio de uma reunião de trabalho, na qual acabei esquecendo o celular ligado ... um a zero pro Murphy. Aviso que estou no trabalho e peço à criatura pra que me retorne à noite (tenho certeza absoluta que era exatamente naquele periodozinho simpático do mês, conhecido por uma abreviatura de 3 letras), enfim, chega a noite, toca o telefone e D. Lesma já chega atropelando, querendo porque querendo que eu pintasse o apê. Eu falo da infiltração, da época das chuvas, de ter que esperar pra ver se o último conserto foi efetivo, e coisa e tal. Mas a mulher está possuída, irredutível, dá um siricotico e me EXIGE o apê pintado em um mês. Eu argumento, tento trazer a conversa à luz da razão, do prejuízo financeiro de se pintar um local infiltrado, etecétera e etecétera. Quando a minha paciência chega na reserva, eu utilizo do último esforço consciente e em vez de ignorância prefiro usar de ironia, e a chamo metafórica e figuradamente de burra umas 5 vezes mas é evidente que o intelecto dela não consegue perceber nenhuma das vezes. O que não faz diferença, porque nessa altura eu já estava com o modo foda-se no ON.

Desliguei o telefone puto, mais com a burrice alheia do que com a grana ingastável naquele momento que eu teria que gastar, mas racional que sou, levantei as características do problema e pus as engrenagens pra funcionar. Em primeiro lugar, eu não podia deixar D. Lesma muito infeliz, pois o fato de ela morar em outra cidade e ser uma lesma é o que me permitiu viver no apê por bastante tempo sem pentelhações. E o que é mais importante, pagando um aluguel pelo menos duzentas pratas abaixo do preço de mercado. Isso é o que eu tinha que preservar a priori, e bater de frente com D. Lesma nesse momento poderia colocar isso em risco.

Com as engrenagens à toda comecei a traçar uma estratégia pra fazer o necessário e sobreviver nessa guerra. No próximo capítulo, os preparativos, a diplomacia e o começo dos trabalhos.